STJ revoga prisão preventiva por tráfico sem periculosidade acentuada

STJ decide pela revogação de prisão preventiva de acusado de tráfico devido à ausência de periculosidade acentuada.

STJ revoga prisão preventiva por tráfico sem periculosidade acentuada

A recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre a revogação de prisão preventiva de um acusado de tráfico de drogas destaca a aplicação do princípio da excepcionalidade dessas medidas. Em análise, o ministro Antonio Saldanha Palheiro considerou a ausência de periculosidade acentuada do réu, uma vez que o delito ocorreu sem violência ou grave ameaça, envolvendo uma quantidade relativamente pequena de drogas: 120 gramas de cocaína e 35 gramas de maconha.

Essa decisão reforça a necessidade de fundamentação idônea para a decretação de prisões preventivas, que deve estar alinhada às disposições do Código de Processo Penal. No caso, predominou a análise da proporcionalidade e a substituição por medidas alternativas foi um dos pontos solicitados pela defesa e acolhidos pelo magistrado.

Decisão do ministro e fundamentação jurídica

O cerne da questão discutida no habeas corpus foi a adoção desse tipo de prisão em um cenário em que a gravidade e a ameaça à ordem pública eram discutíveis. A prisão preventiva havia sido decretada sob argumento de reiteração delitiva, em virtude de condenações anteriores do réu pelo mesmo tipo penal. Contudo, a defesa destacou a ausência de fundamentos concretos que justificassem o encarceramento, além de alternativas menos danosas como solução possível.

O ministro Saldanha Palheiro enfatizou que o Código de Processo Penal estabelece que a decretação de prisão preventiva é medida excepcional e deve ser aplicada somente em hipóteses que demonstrem evidente periculosidade. O argumento principal foi de que o crime em questão não envolvia violência ou ameaça. Assim, a quantidade de droga apreendida não era suficientemente elevada para suscitar maior gravidade.

Impacto nos precedentes jurídicos

Com a decisão, o STJ reforça a interpretação de que a prisão preventiva não deve ser usada como punição antecipada ou automática em casos de tráfico de drogas, principalmente quando a apreensão não implica risco significativo à segurança pública. A análise mostrou que o simples fato de o réu possuir antecedentes não é motivo suficiente para justificar a privação de sua liberdade sem uma argumentação sólida e cautelosa.

Essa perspectiva também estimula um debate mais amplo sobre aplicação de medidas cautelares e humanização do sistema penal, buscando manter equilíbrio entre segurança jurídica e preservação de direitos fundamentais. Pontos como este têm gerado discussões em casos análogos, influenciando diferentes tribunais a adotar análises mais criteriosas.

Importância da proporcionalidade e exceções

Sob a ótica da razoabilidade, é importante destacar que o princípio da proporcionalidade deve nortear decisões judiciais deste tipo. Casos envolvendo pequenas quantidades de entorpecentes frequentemente levam a discussões sobre a utilização excessiva da prisão preventiva, especialmente quando alternativas como monitoramento eletrônico ou suspensão de direitos podem cumprir o mesmo objetivo legal.

O debate gerado com a decisão tende a reforçar a necessidade de ajustar práticas judiciárias às especificidades do caso concreto, evitando-se abordagens generalistas ou automáticas. A decisão completa pode ser acessada aqui.

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Redação
Redação jornalística da Elias & Cury Advogados Associados.

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